Faz 39 anos

 
Fez este mês 39 anos  sai de Portugal. Emigrei sem saber, sem querer, sem comprender …tinha 6 anos.
Meu pai, depois de ter ficado sozinho 8 mêses, fui buscar nos, minha mae, meu irmao  com 1 ano de idade e eu. Ainda me lembro dessa viagen de comboio. Nossas malas e sacos, meu irmao  mal andava, tinha de andar o colo..imaginem, minha mae com uma mala dum lado e  meu irmao o colo do outro, meu pai também carregado e eu ali no meio sem saber o que estava a acontecer…o  mais complicado era as mudanças de comboio e em Paris..tivemos de mudar de estaçao..
Na estaçao de Bordeus, chegamos la de manhazinha, fomos muito bém acolhidos, pessoas vinham a nos  com pequenos almoços : leite, café, chocolate e croissants..
Me lembro também dum momento inesquecivel, foi um momento de grande medo…meus pais tinham nos metido num comboio enquando foram buscar todas nossas coisas, o comboio começou a ir embora e eles sem chegarem perto de nos…foi a vez que mais gostei de os ver  aparecer…foi o grande mêdo da minha vida..
 
 
 
                                                             
 
 
 
Sérgio Frusoni, poeta caboverdiano , acompanha a movimentação da Literatura Caboverdiana em torno de temas básicos à cultura como o apego à terra, a fome, o drama partir-ficar(também chamado terra-longismo). Mas acrescenta-lhes o sensualismo, o humor, o auto-biografismo.
 
 

Quem eu sou? Um filho de São Vicente.

nascido, criado, lá na Ponta da Praia.

Lá onde o mar se espreguiça debaixo dos botes,

como a barra duma saia.

O que eu quero? Cantar a minha terra!

Acompanhá-la na sua dor;

na nobreza da sua alma;

na pobreza da sua vida!

 

 

                                                               

 

 

 
Mas aqui é que nasci
aqui é que me criei!

                                       Este mar, este céu, este

                                             [chão]

                                       Aqui é que hei-de morrer!

 

                                          Ideia de embarcar

                                    nunca me passou pela cabeça

                                          Antes ficar por cá a

                                            [gozar deste mar]

                                                e deste céu

 
 
 

Sobre Lena

Tenho muitas paixoes, mas a principal é viver
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5 respostas a Faz 39 anos

  1. Carlos diz:

    A vida dos emigrantes, seja de q pais sejam, é sempre complicada, o começar de uma vida nova, nova gente, novos amigos, novas culturas, uma nova lingua, um trabalho longe da terra natal é complicado, não o sei por experiencia propria, mas muitos dos meus familiares ainda estão em frança, estive a ultima vez em Paris em 74,adorei , embora tenha apanhado a maior vergonha da minha vida como portugues, mas o saldo foi muito positivo, esta lenga lenga toda para te falar de PORTUGAL, o nosos cantinho, q qd andamos fora nos lembra, nos da saudades, tenho tido a felicidade de conhecer alguns paises ( ja bastantes )e não ha nada como aqui o nosos cantinho, a nossa Madeira q tu viste as fotos e gostaste, mas a Madeira ao pe dos Açores, menina não tem nada a ver, os Açores é um paraiso, principalmente para quem gosta de paisagens e flores, aconselho-te a visitares qd puderes, SãoMiguel e o Faial então é de morrer, um beijo e mais uma vez obrigado por visitares o meu blog.

  2. Dia diz:

    Na minha vida também a emigração esteve e está muito presente, passei os verões a alegrar-me com as chegadas e a entristecer-me com as partidas dos meus entes queridos (tios, tias, primos)… quando o meu sogro faleceu, disse ao meu marido, pensa que ele regressou a França… queria arranjar o escape para aliviar o sofrimento…
    Cresci e estudei com uma prima cujo pai emigrou quando ela tinha 2 anos, quando ela tinha 10 anos a sua mãe também emigrou e ela sentiu-se abandonada pelos pais. Quando eles regressaram, ela já tinha a sua casa…
    Hoje vejo os emigrantes a invadirem Portugal e entendo-os, os filhos que ficam lá, as esposas, as familias…
    Um beijinho
     

  3. Helena diz:

    o emigrante sofre por estar longe do pais e também dos seus pais..mas com a esperança de um dia voltar a terra querida..so que, ir e depois deixar ca seus filhos, também faz doer..e muitos estao a vender o que ai tem e a ficar por ca..isto é  "vida de emigrante"..vida complicada..quando as familias estao separadas..
    olha Dia , ja tems falado da tua avo, eu nao cresci com meus avos, meus filhos também nao..isso também fez um grande vazio nas nossas vidas.

  4. Helena diz:

    Carlos, que tems de contar me qual foi essa vergonha tua como português quando viestes a França..
    a saudade é bém portugues..e aqui longe de Portugal..imagina  como vivemos, vivemos pensando nas proximas férias para ai voltar…por isso , nao consigo viajar o visitar outros paises , porque logo que possa estou ai..

  5. dias diz:

    Oi Luz:
    Regressei e gostei de Londres..Foi bom até teve sol, imagina.
    Mas o melhor é o sol de Portugal..
    To mando nesta mensagem..Com carinho.
    Jokas
    Fernando

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